Querido amigo

Querido amigo,

Quando te vejo, você está sempre tão frágil que parece que, a qualquer momento, vai se despedaçar ali, na minha frente. A vontade impulsiva que tenho é de te proteger como se protege um gerânio colocando-o numa redoma de vidro. O mundo não te recebeu bem. A feiura do mundo tenta sufocar a beleza da tua essência. E sua sinceridade é tanta, sua inocência é tão transparente, que você deixa todos os seus poros abertos pra feiura do mundo entrar. Pras pessoas te ferirem, cutucando os poros, abrindo-os, esticando-os, até conseguirem enfiar um punhal, uma espada, um canivete em cada um neles. E aí você sofre. E aí você sangra. E aí você chora. E aí você toma remédios demais. E aí você se destrói.

Ah, caro amigo, eu queria tanto que você aprendesse o que eu aprendi há uns anos.

Nós precisamos pegar as agulhas, as facas, os canivetes, os punhais, as espadas, arrancá-los a duras penas dos nossos poros, forjá-los todos juntos e construir uma armadura. Nós não somos compatíveis com esse mundo. Não com essa carne e esses ossos. Precisamos de uma carcaça, mesmo, que, no fim, ainda saibamos que somos feitos daquela carne e daquele osso.

Outras vezes eu queria criar um clone de mim só pra ser sua guarda-costas e te proteger de todos os babacas. Outras vezes eu queria fugir pra outro mundo com você e as outras pessoas que aprecio.

Mas não posso fazer nada disso.

Eu só posso estar aqui por você.

E a cada abraço, te apertar, pra ver se assim você não se despedaça.

E eu estou aqui por você.

Por favor, fica inteiro?

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Flora

Na primeira vez que eu a vi eu soube que ela se encaixava em mim. Ela, com sua maquiagem rosa desajeitada, de shorts e tênis, com seu cabelo colorido e tão, tão tímida que se contava nos dedos quantas palavras ela falou. E eu aguardava ansiosamente cada frase que ela dissesse, moldada com sua voz tão bonita que me fez gostar até das músicas que eu não gosto, desde que seja ela quem cante.

Na segunda vez que eu a vi eu quis tanto, tanto falar com ela. Mas parecia que havia uma barreira, na qual eu sempre esbarrava quando me jogava contra ela pra dizer alguma coisa. Tínhamos a mesma camiseta, que ficava mais linda nela do que jamais ficaria em mim.

Na terceira vez que eu a vi, meu ego ferido a fez superá-la. Deixa pra lá, ela jamais vai ver algo de interessante em você. Mal sabia eu que ela lembrava de mim nesse dia mais do que eu lembraria dela.

A quarta vez que eu a vi me fez querer ficar com ela tantas vezes quanto possível. Sim, a quarta, e eu odeio números pares, mas esse até que é bonito. Quando nos beijamos, um beijo que demorou horas pra acontecer, atrasado pela falta de coragem de ambas, tudo mexeu. Tudo entrou em aceleração. Não demorou muito pra só ela fazer sentido. Foi um pulo pra que ela desse gosto aos meus dias.

E eu amo tudo sobre ela agora. O sorriso dela, a pele dela, o cheiro dela – que felizmente sempre fica nas minhas coisas. O abraço dela, o toque dela, o jeito dela. Deitar com ela fazendo nada, ouvir as músicas que ela gosta, o carinho que fazemos nas nossas mãos, as noites insones conversando sobre tudo. Eu olho pra ela deslumbrada e ela me pergunta inocente “o que foi?” Nada. Só eu contemplando a grandiosidade e a forma bonita do que eu sinto por você. Eu sou fascinada por cada detalhe seu. Fica comigo. Até você aguentar. Você é o melhor ansiolítico que existe. Você colore meu dia como meus remédios coloridos tentam fazer e falham. Você faz eu querer ter uma alma, só pra ela acariciar a sua. Eu te amo. Honestamente, sinceramente, totalmente.

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Sobre meu amor por você

Nietzsche, esse fracassado recalcado de quem não podemos deixar de gostar, dizia que o amor e ego são a mesma coisa com nomes diferentes, que amor é posse. Ele, de fato, dedicou certo tempo em desconstruir toda a beleza que os românticos reputaram ao amor. Realmente, amor e posse, estão, no mínimo, interligados. Por outro lado, Sartre dizia que nos atraímos justamente pela independência e liberdade que enxergamos no outro. Não, não te quero minha. Te quero sua e te quero porque você é sua e só sua. Meu desejo de posse se limita à posse da tua companhia. Que me deixe te ver, te tocar, te sentir – só na forma e no tempo que você me permitir. Tá, a sua pele é sua. Mas por favor me empresta ela qualquer dia desses pra eu pintar um quadro de Mondrian no seu corpo. Não que ele precise de tinta pra ser arte. Meu olho capta o que vê do teu corpo, envia as informações ao meu cérebro desregulado, que acrescenta várias outras informações e acaba que minha percepção de você é quase onírica, e ao mesmo tempo, às vezes parece a única coisa real nessa matrix que é o mundo; o concreto das minhas paredes, o tecido da minha cama, a madeira do meu guarda-roupas não são nem de longe tão reais quanto teu rosto. O resultado desse processo interno é cara de idiota que eu faço te observando por minutos a fio. Você é sua, só sua. Sua mente, suas ideias, suas ações, seu andar, seus trejeitos. Você é proprietária única e exclusiva de todo esse deslumbre. E – aguenta essa, Proudhon – acho que essa é a única propriedade que não é roubo. Mas deixa eu pensar junto com você, deixa eu abraçar você, deixa eu dormir com você, deixa eu ouvir você, deixa eu andar com você. Por um tempo. Até nosso encanto se acabar e a gente ver que a gente chora e fede como todo mundo.

Meu pensamento também é só meu, você não tem acesso a ele. Mas quando eu digo que te amo, não é só uma frase solta, dita pra impressionar –  eu não amaria alguém que se impressionasse com tão pouco. É só a verbalização que não faz jus – porque nunca faz – ao sentimento que é responsável pelas sensações vibrantes correndo pelo meu corpo quando te vejo, por você ser um entusiasmo pra acordar e viver a rotina chata, porque, pelo menos, eu vou passar umas horas com você. E esse sentimento, se verdadeiro, será observado nas ações. No meu cuidado, no meu riso e olhar idiotas de quem inegavelmente te ama, nas vezes que você vai ser minha inspiração pra tanta, tanta coisa! Espero que você fique um pouco pra observar isso. Espero que eu possa mostrar isso fielmente e precisamente. Infelizmente, eu me aproximo mais desses românticos idiotas que dos céticos como Nietzsche. Espero cada dia poder te provar um pouco que ele não estava tão certo assim em suas análises, e que o amor, apesar de ser chato, estúpido e inconveniente, provoca sensações boas e tão reconfortantes em nós humanos – que também somos chatos, estúpidos e inconvenientes – que é até bom de vez em quando na vida. Que essa galera tipo Neruda, Lord Byron, Álvares de Azevedo não são completos parvos alienados pelas sensações. Eles sabem que o amor é um impulso no meio da morbidez, mas também sabem que, uma vez que esse impulso se estingue, a morbidez se agiganta e se fortalece. A certeza da dor, do luto, do sofrimento e do cinismo futuros é o preço que pagamos de bom grado por um prazer imediato.

O inferno são alguns. Já você, é alguém que torna meu inferno suportável. Talvez nossa ânsia por amor venha disso. Vai saber.

“ME FALTA tempo para celebrar teus cabelos.

Um por um devo contá-los e elogiá-los:

outros amantes querem viver com certos olhos,

eu só quero ser tua cabeleireira”.

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Às vezes eu fecho os olhos e vejo as mesmas formas e cores distorcidas que eu via quando criança. Parece que tudo volta. A mesma angústia, a mesma solidão, a mesma rejeição. Cresci uma adulta frustrada por não ser boa em nada. Cresci uma adulta desagradável, sem amigos. Tento me convencer de que o inferno são os outros. Em todo lugar que vou, sei que não sou bem-vinda.

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Das vezes que você me deixou ir embora

Stella era o por que não? no meu ceticismo. Eu havia construído minhas opiniões em estudos científicos e fatos materiais, ela insistia em jogar tudo por terra em nome do desconhecido. Eu odeio escrever sobre Stella, e odeio mais ainda gostar de Stella. Gostar é o eufemismo que eu negociei com minha Razão. Mas sabemos que sou mesmo é apaixonada por ela. Eu nunca vi graça nessa coisa de opostos se atraírem ou se completarem, eu era uma contradição física, eu era uma partícula negativa vagando, no fundo meio em busca de outra carga negativa. A carga de Stella não era da física, era do espírito. E isso é pior que uma simples partícula com carga positiva.

Eu abandonei todas as minhas regras para ficar com ela. O hedonismo sequestrou minha coerência lógica. Havíamos simplesmente abandonado tudo e caído na estrada; era hora de se desapegar do confortável, deixá-lo morrer pra que o novo viesse, ela disse.

Às vezes eu olhava pra ela e a odiava. A odiava por me fazer tão inconsequente, ao me levar de volta à adolescência que eu tanto repudiava. Às vezes eu fugia de casa. Passava dias sem dar satisfação. Quando eu voltava, ela só me encarava com uma sobrancelha arqueada, com aquela cara de quem podia – e iria, saber o que eu pensava através do meu olhar. Porra nenhuma, eu bradava na minha cabeça, com raiva, e marchava para o nosso quarto. Nessas noites eu sempre deitava na cama convencida a passar um tempo ignorando-a, e em meia hora, cada célula do meu corpo estava tremendo sistematicamente como uma música por causa dos toques dela. Parecia que Stella sabia exatamente onde me tocar, já que ela me conhecia desde que éramos caçadoras de Ártemis. Parecia que Stella sabia exatamente como olhar, o que dizer, no tom certo, pra me deixar deslumbrada por ela. E ah… A voz dela…

Quando ela se levantava e me deixava sozinha, eu voltava a odiá-la. Me sentia presa num sentimento que eu não podia controlar, vigiar, punir. Stella era um ponto fora da rota. Eu não tinha nada a ver com ela. Eu não queria ouvir a maioria das coisas que ela dizia, ela não queria ouvir muito do que eu dizia. E mesmo assim, eu ficava ali, completamente extasiada por estar nos braços dela. Ela dizia que nossas almas se conheciam. Bem, eu preferia pensar que nossos átomos se conheciam e se atraiam desde o surgimento do Universo. Dava no mesmo. Stella era um golpe que me levou ao chão, e eu não levantava só de otária.

Um dia, olhando pra mim, ela viu mais do que eu tinha permitido que meu rosto transparecesse. Silenciosamente, perguntou qual era o problema.

“Eu não posso ficar com você. Eu não posso pedir que você lute por mim pra sempre. Eu estou sempre indo embora, e tudo que eu queria era que você não me deixasse ir”, eu disse, com os olhos ardendo, metade frustração, metade tristeza.

“Eu vou estar aqui quando você voltar”, ela disse, somente. E eu sabia que era verdade, mas não era o bastante.

Eu me levantei, botei uma calça folgada e uma camiseta qualquer, saí. Dessa vez, não sabia para onde iria. Há muito tempo eu não estava viva o suficiente, e eu recusava o fato de que era Stella que me deixava menos morta. Euteamoeuteamoeuteamo, eu repetia, enquanto fugia de mais coisas do que parecia. Naquela noite, não sabia se voltaria pra mim. Muito menos pra Stella. Pelo menos não nessa vida.

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I don’t know how to be in a releationship. I love Venus and I think about breaking up with her almost everyday. I’m scared of how much power she has over me. She didn’t want to see me today and it broke me, I’m in pieces. How pathetitic. I don’t deserve her. I don’t even deserve to be alive. I don’t know why I was born and I don’t know why I didn’t die when I tried. Universe is a fuckbag.

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How to suck at relationships

I was a fuckbag with Number 1. She was all fucked up, dumped by her own mother as a kid and left with a stupid alchoholic father who used to hit her and I’m pretty sure raped her as a child. She, like myself, was a bipolar, as well as drug-addicted at age 13. She was a friend of mine since we were children, and we were very close, we were each other’s first crush and first love. She sure was problematic, high all the time, depressive, suicidal, and used to manipulate me – I learnt manipulation very well from her. But I sunk us. I turned our lives into shit when I started to pretend I didn’t care about her just because I was scared of losing her. That hurt her so much she became a monster slowly, and I kept feeding it. I cheated on her and she knew that. Everytime she discovered a new betrayal, she cut herself or even tried to kill herself sometimes. But not before leaving me in pieces and hit me. The Kill, by 30 Seconds to Mars was our song, as long as Space Bound by Eminem. What a joke.

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Number 2 was the girlfriend I loved most and who showed me love doesn’t break my bones. At least not literally. We were very cute with each other, but she also had her problems, and all the poliamourus relationship thing was stupid too and pretty much ruined us. She said she wanted to spend New Year’s Eve without me and I read this as a big “I DON’T LOVE YOU YOU CREEP, GET OUT I WANNA MAKE OUT WITH OTHER GIRLS” and, after a couple days manipulating her as she tried to fix things up, I broke up with her. At that time I had already killed her feelings for me.

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What am I gona say about Number 3. I was a complete bastard. Pure fucking shit, really. The girl simply ADORED me, and I despised her. And even so, I convinced myself that I would love her because she fitted me, in my head, and so I obviously would fall in love. But that never happened. We also had an open relationship, and at the first party in town after we started dating, I went out with other girl. She wanted to go to this party, but stayed home. I was so horrible to her that she, a piescies, broke up with me.

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Number 4 was the girlfriend I was less despicable, I guess. Well, she, not like all the others, was a bisexual, and cheated on me with a boy. And with a girl. I, yes, was in love with her, not 100%, but I was. And hadn’t done anything stupid until then. I didn’t broke up with her when she told me, in my mind I would try to forgive, but truly my plan was to torture her. Revenge. And so I did. I drove her crazy. I, a radical feminist, said, in a fight, that she owned me sex. That’s how big is the monstrous side of me I can’t control.

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And now we have girlfriend Number 5. I am completely in love with her. And trying my best not to be a scumbag. She’s older, she’s smart and artistic and special. But everyday I think about breaking up or because I’m not good enough for her or because I don’t think she likes me the way I like her or because I’m scared of losing her. I’m trying not to go mad. But I don’t know if I know how to love or if I ever will. We don’t have a song yet but I’ll hear Tove Lo – Habits all the time when she leaves me.

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